"Nos encontramos diante de Perséfone, Deusa do Mundo das Sombras, da nossa caverna, do nosso Mundo Interior.
Raptada por Hades, Senhor das Trevas e do Mundo dos Mortos (dos Espíritos), Coré, filha de Deméter, a Mãe Terra se torna Perséfone ao comer a romã, fruto oferecido por ele. A partir deste momento, Perséfone estaria para sempre ligada a Hades.
E então, ao longo de quatro meses, Perséfone governaria o Mundo das Sombras junto com Hades e ainda que passasse os outros oito meses ao lado de sua mãe Deméter, não poderia falar sobre o Segredo do Mundo dos Mortos (Espíritos).
O reino Hades, cheio de mistérios, era protegido pelo rio Estinge, o qual nenhum ser vivo poderia atravessar sem a permissão de seu Mestre.
Hermes, o Deus mensageiro, após as súplicas e o pranto de Deméter vai até Hades por ordem de Zeus e exige a devolução de sua filha. O acordo foi então feito: durante 1/3 do ano Perséfone passaria com Hades, no mundo avernal, e os outros meses com sua mãe, Deméter.
E neste período longe de sua mãe, a terra seca refletindo a tristeza e a depressão da Deusa da Fertilidade, é o inverno. No seu retorno e estadia no mundo da superfície, os verdes campos ressurgiriam junto a felicidade de sua mãe, e as flores brotariam anunciando a chegada da primavera.
Perséfone é o elo com nosso mundo misterioso e insondável: o inconsciente, a espiritualidade. E ao descermos progressivamente a nossa caverna, entramos em contato com este mundo denso e profundo, cheio de riquezas ocultas e mistérios a serem desvendados.
Nesse mundo de sombras e escuridão não podemos entrar sem o conscentimento de seus invisíveis. É nesse universo que nossos potenciais estão latentes, prontos para serem desenvolvidos bem como as facetas mais sombrias e primevas de nossa personalidade. E ao penetrarmos neste universo misterioso e rico, agimos como Perséfone após ter comido a romã: deixamos nossa inocência pueril para nos tornarmos guardiãs dos segredos e mistérios do nosso mundo interior.
Perséfone representa aquela parte de nós que conhece os segredos do mundo interior, entretanto, só conseguimos ter uma vaga noção das coisas à medida que despertarmos nossa consciência, e então fragmentos de sonhos ou curiosas coincidências acontecem em nossas vidas.
Esta Deusa é sedutora e fascinante, porém jamais fala de seus segredos, do mesmo modo que o mundo noturno penetra em nossos sonhos e em nossa intuição. Entretanto, ao tentarmos dominá-lo e colocá-lo sob a luz do intelecto, esse mundo emudece e escapa de nosso alcance.
O mundo sombrio de Perséfone nos oferece o desenvolvimento de nossa intuição, dos nossos insights.
O mito desta Deusa enfatiza o movimento cíclico do tempo nos revelando um ritmo misterioso. As sementes da mudança e de novos potenciais estão "protegidos" dentro deste útero silencioso do mundo sombrio antes de terem a permissão para serem gerados por Deméter e trazidos à luz do mundo material.
Perséfone é a imagem da lei natural esperando dentro das profundezas de nossas almas, governando o desenrolar de nossas vidas a partir de um ponto invisível e que apenas é revelado por meio do sentimento, dos sonhos e da nossa intuição."
Texto por Dayse Peters Richter
Nosso encontro de abril será um ritual em honra a esta Deusa, a este aspecto em nós que é soberana do nosso mundo mais interior. Ritualizá-la é buscar o contato com nossa espiritualidade mais íntima e nela confrontar nossos aspectos que precisam de aprimoramento e desenvolvimento, sejam eles de qualquer uma das dimensões que habitam em nós, física, emocional, mental e/ou espiritual.
Gratidão a Dayse, nossa querida participante que lindamente nos acrescentou este texto
Sejam Bem Vindas

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