segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A importancia dos Círculos para Mulheres

Caras leitoras

Neste domingo, dia 02 de Janeiro de 2011, saiu a reportagem na Revista de domingo O Globo sobre o novo movimento do Feminino, ou o Ecofeminino. Nossa Fogueira de Gaia estava lá, firmando seu compromisso e sua existência, junto com outros três grupos de igual beleza e importância.
Mas muitas vezes nos perguntamos, "por que estamos fazendo isso?", "para onde isso nos levará?", "qual a importância de participar de um grupo como esses?", e então as duvidas começam e mais uma vez empurramos mais para dentro nosso Sagrado Feminino.

Como disse na reportagem, não me considero feminista, mas sim feminina, em busca desse feminino, pois não acredito em igualdade entre os gêneros, mas sim em equilíbrio. Somos mulheres, temos ciclos hormonais, ficamos grávidas, temos vários tipos de orgasmos, amamentamos, etc. Os homens são fálicos, são explosivos, gostam de brincar de luta, são regidos pelo mesmo hormonio o mês todo e são muito.....muito mais objetivos e práticos que a gente. Então, não somos iguais, mas somos complementares.

E então por que um grupo só para mulheres?

O grupo tem o objetivo de resgatar todo o potencial feminino que foi suprimido e reprimido ao longo da história, onde gradativamente a mulher foi perdendo o direito de pensar livremente, agir livremente conforme suas tradições e costumes, até chegar aos extremos como ser proibida de falar sem a permissão do marido, votar sem a permissão do marido, trabalhar sem a permissão do pai ou marido entre outras proibições declaradas e afirmadas socialmente. Lembremos que a mulher só passou a ter direito ao voto há pouco mais de 75 anos.

Mas há ainda proibições muito veladas. Costumo dizer que a pior herança do patriarcado não foi a supressão do feminino pelo homem, mas sim fazer com que nós mulheres acreditemos que ser plenamente feminina é sinonimo de ser inferior, menor e menos importante para a sociedade. As proibições já foram apreendidas, ou seja, incorporadas pelo senso comum das próprias mulheres que passaram a acreditar que é preciso ser como o homem, ganhar como o homem, usar os homens como estes usam as mulheres,  pensar como o homem, ou seja, se igualar ao homem. E com isso perde-se a intuição, a subjetividade, o olhar global, a magia da maternidade e da amamentação, a sensibilidade e a receptividade que a mulher possui como natureza inata. E começa o conflito!!!
Quantas mulheres geram seus filhos e não conseguem exercer a magnitude da maternidade como parir naturalmente para não sentir dor ou porque é mais cômodo e ágil para médicos realizarem a cesariana? Quantas mulheres não amamentam porque não tem paciência de esperar o ritmo de seu bebe? Quantas mulheres tem medo de não conseguirem ser mães e delegam as babás e avós a função mágica que Deus nos deu? Quantas mulheres não suportam seu ciclo menstrual, ou fazer comida por achar isso coisa de mulher doméstica!!!
Por outro lado, após a Revolução Industrial do séc. XX, nós mulheres nos comprometemos com o trabalho rentável, com as finanças da casa e hoje muitas são as chefes dos lares, quem custeiam seus filhos e famílias....e ai entra a questão...como harmonizar tantas funções que nos exigem papéis tão diferentes e por vezes antagônicos, como mãe e diretora executiva de uma empresa?
É ai que o resgate do feminino nos ajuda a entender o quanto podemos ser mulheres femininas em tudo que fazemos, sempre seremos mulheres e nunca homens. Assim como eles aprendem a ser carinhosos com os filhos, nós aprendemos a ser práticos na empresa. O trabalho é em conjunto.
Mas aqui, neste espaço, nestes encontros é quando descobrimos quem somos, o que podemos ser e de que jeito podemos ver o mundo, nossa casa, nossa família, nossos filhos, nosso trabalho e nosso planeta, e a partir desse jeito permitir que as diferenças existam, que as nuances ocorram e o equilíbrio se estabeleça.

Somos nós mulheres que criamos nossos homens de amanhã e mulheres também. Como queremos mostrar o mundo as nossas filhas? Como um belo corpo que pode trazer muitas vantagens? Ou que homens não prestam e devemos nos bastar sozinhas? Que ser mulher bela e feminina é entrar em um estereótipo de corpo e beleza inatingíveis?
E aos nossos filhos? Que homens não choram? Que ele deve sair com tantas mulheres quanto seus hormonios permitam enquanto nossas filhas casam-se virgens?

O que vamos pregar hoje para que o equilíbrio se estabeleça amanhã?

Estamos vivendo uma fase de transição, somos responsáveis hoje pelas tão faladas mudanças que regem a astrologia, o calendário maia e outras profecias.

Na Fogueira reestabelecemos o contato com o mundo Cósmico, não visível, mas não imperceptível. Conhecemos nossas forças, aprendemos a ouvi-las, a entende-las e respeitá-las. Adquirimos ferramentas para lidar com um mundo selvagem, mas também com o mundo mágico dos sonhos, dos encantos, da iluminação.

O Resgate do Sagrado Feminino não é só o resgate da Deusa em nós, mas do equilíbrio entre nosso mundo interior e exterior, uma comunicação entre o que somos internamente e o que precisamos fazer aqui fora para sobrevivermos e realizarmos nossa missão.

A mulher gera e nutre uma vida. Podemos então, gerar e nutrirmos uma nova vida para nós mesmas e para todas as nossas relações!!!

Sou grata

Um comentário:

  1. Cris, muito bom...acho que muitas mulheres assim como eu, vão se identifica com essa situação de repressão. Vou divulgar!!!

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